quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Beijo

Um beijo precisa de muito pra acontecer.




Precisa de olhar, precisa de intuição, de feeling. Um beijo precisa ser provocado, às vezes até planejado. Tem que condizer com as intenções: ser suave ou quente, a depender do que seja de verdade.


Um beijo não dura pouco nunca, porque ele cabe no instante das sensações, do que faz ver ou sentir. Ele diz coisas que precisam de um bom intérprete pra perceber. Precisa de conexão.



O beijo é exigente, ele cobra desejo. Seja a boca, o corpo ou a mente, algo tem que ser irresistível para o indivíduo que faz acontecer o beijo. E tem que fazer acontecer.  Um beijo talvez precise até de cálculo.



Um beijo precisa prender, encantar. Precisa atrair, quer possuir. Faz esquecer, também. Faz imaginar, sonhar, enxergar…








Um beijo não precisa de amor, mas precisa de sentimento – não exatamente pela pessoa, mas pelo próprio beijo: ele é egoísta.




O beijo precisa, principalmente, inspirar outro beijo. Um beijo que nunca se repete é o produto que só se compra uma vez e causa arrependimento; é o não olhar pra trás pra continuar a ver aquele rapaz alto que passou do seu lado.



O beijo é como o Marketing: ele tem antes, durante e depois. Não deve ser bom em Marketing quem não é um bom beijador.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Introversão. "Uhu, tô sozinho, uhuu"

A aula de Inglês de sexta contou com um textinho sobre os tipos de personalidade definidos pelo teste de Katharine Briggs e Isabel Briggs Myers, sua filha. O primeiro tópico era IntroversãoxExtroversão.

Foto: Internet

A maioria das pessoas confunde introversão com timidez, inclusive eu, antes de ler o texto. Mas não. Segundo elas, na verdade ser introvertido ou extrovertido é apenas relacionado ao modo como você obtém energia: se você se energiza por estar em contato com outros, você é extrovertido(a); se obtém mais energia estando sozinho, é introvertido. A professora ainda brincou que o introvertido fica em casa feliz: “Tô sozinho, uhu, tô sozinho”.

Achei graça da cena que ela pintou, não muito diferente dos meus ataques de sorrissos e gargalhadas quando estou sozinha no apê. Acho que a maioria das pessoas é metade de cada, tudo depende do momento. 

Tem dias em que eu me sinto óóótima com um galerão, o que inclui todos os momentos de escola, as catorias em grupo, festas, shows (a energia contagiante do show de S.O.J.A. na praia de Ipitanga que o diga), as gracinhas de Thiago Henrick na sala de aula, Guga dançando antes de Ricardo dar as notas de Ética e Legislação Publicitária…
Foto: Juci Matos


Mas, às vezes, fico em total sintonia com a felicidade estando sozinha, lendo, escrevendo, planejando, na água do mar (é muito divino), ou mesmo olhando esse solzinho fraco de fim de tarde batendo na piscina do condomínio e cortando a sala, raios dividindo livros, reflexos, instrumentos…
Foto: Luma Pinto

Hoje estou nesse momento intro. =)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para ter uma grande ideia é preciso...

Depois que Patrick leu o texto da Almap na sala de aula (esse aqui, dá uma conferida), o professor sugeriu que a gente refizesse, sob o nosso olhar.

O resultado foi:







segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

A tal da Gestalt

(texto adiado por falta de internet)

Semana passada meu ilustríssimo professor de Arte Publicitária passou um slide durante a aula para relembrar-nos da Gestalt, para usá-la na criação da identidade visual de uma marca. Tudo aquilo: pregnância, proximidade, fechamento…
Opa, fechamento?
Ah, tá, me fez lembrar do trabalho do 1º período do curso, na matéria Psicologia I, a professora gostou tanto que me pediu pra fazer um artigo ou publicar num blog. Aí eu esqueci…e agora vou fazer isso, logo, aqui vai o meu primeiro texto de cunho acadêmico:

A tarefa
Os grupos deveriam encontrar uma imagem que representasse alguns dos princípios da Gestalt para apresentar em sala de aula. Todo mundo foi procurar na internet. Mas aí…o meu grupo, composto por Inês, Júlia e ingrid, além de mim, lógico, resolveu fazer a tal reunião na minha casa. Quer dizer, aquilo era tudo, menos uma casa: assim que vim morar em Aracaju, fiquei numa kitnet meio desorganizada – sendo bem bondosa – , e então estávamos sem internet pra pesquisar.
Júlia só dormia, Ingrid rabiscava no caderno, Inês se constrangia com a kitnet e eu mais ainda.
Mas aí um dos rabiscos de Ingrid prestou.

A figura

Primeiro mostramos à professora, na pré-apresentação (que era pra ela aprovar ou não a imagem), um esboço feito no paint. Empolgadíssimas estávamos por criar, e não usar algo já feito, e ela…
Odiou.
Achou feio, disse que era melhor a gente procurar outra imagem.
Mas já estavávamos envolvidas, então fizemos a fotografia final e fomos pra frente da sala apresentar, já esperando as risadas e a cara de reprovação da prof.
Aí ela amou.=)
Foto: Júlia Borges

É que graças à propriedade de fechamento, a maioria das pessoas que olhar para os gravetos fotografados verá uma estrela. O nosso cérebro “conserta” as coisas pra gente, ou seja, assim como ele corrige a orientação do que os nossos olhos captam (porque a gente enxerga de cabeça pra baixo), ele busca completar o que parece estar faltando traços. O que explica isso é a tendência à boa-forma. E é por isso que se você passar por um restaurante cujo letreiro teve pedaços de letras danificados, ainda assim você compreende o total.

Porque o total, aliás, é tudo o que se vê. Ao chegar pela primeira vez num cômodo, você não percebe cada detalhe, só guarda a impressão. Exemplo: bagunçado ou arrumado, limpo ou sujo, moderno ou antigo, colorido ou sépia, enfim. Textos e imagens também são percebidos assim. Observe a onça abaixo:


Foto: internet
Particularmente, acho que as pessoas TAMBÉM são percebidas assim, por isso as pessoas não conseguem se ater às características por si só, mas sim o contexto geral: se você é legal, feio, bonito, burro, autoritário...enfim. Mas isso é só especulação minha, não me lembro de ter visto estudos a respeito.

Mas pra que o cérebro complete as imagens, lá vai outra propriedade da Gestalt: a Semelhança, ou semelhança passada. É fácil de entender: o seu cérebro completa o triângulo porque ele conhece triângulos.
Desta forma, a nossa “estrela” pode também ser completada para formar o A da Anarquia. Nem eu, Júlia ou Ingrid pensamos nisso, mas Inês, mais familiarizada com o símbolo, percebeu a semelhança de primeira. Logo, o desenho, a depender de quem o observe, pode ter esses dois significados – ou mais, se você encontrar mais (a professora falou algo sobre como estávamos de parabéns pela escolha da grama, que é uma planta que não cresce, e relacionou com outros elementos da fotografia, mas eu não me lembro muito bem, achei que estava além da minha capacidade de viajar em um simples matinho).

As imensas interpretações são a essência da Gestalt, e por isso mesmo ela por si só não serve à propaganda: ninguém quer uma peça que deixe dúvida quanto à conclusão da mesma. Nesse ponto, a Publicidade fica mais para o Behaviorismo, com o estímulo e resposta. Aí vem o cãozinho de Pavlov, comportamento, condicionamento, pa pa pa…mas eu fico por aqui mesmo. 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

A escolha

Alguém já ouviu a teoria dos sete anos? Que de sete em sete anos há uma grande mudança, bababa…


Bom, eu estou no terceiro 7, tenho agora 21. É provavelmente uma fase de transição.

Nesses momentos, você (não pode ser só eu, come on) pára e reflete, com atenção, que escolhas tomar, sabendo que as opções levam a caminhos totalmente distintos, então é preciso ter calma para escolher o melhor.

A maioria dos adultos ou idosos que eu conheço tem melancolia  por algo que fizeram ou deixaram de fazer em suas vidas – pode ser um detalhe ou uma grande frustração.




Anos atrás, eu devia ter uns treze anos, meu pai conversou comigo por telefone sobre “ e se a outra escolha fosse melhor?” Eu disse a ele que acho que a melhor escolha é sempre a que a gente tomou.

Primeiro, porque acho que deveria ser a melhor mesmo quando você as analisou. É como pensar num namoro ruim e concluir: “por que mesmo eu namorei-o(a)?” Mas, acredite, na hora fazia sentido.

Segundo, porque às vezes sinto que nem é tanto como se tivéssemos realmente opções. A maioria das pessoas só pode ter uma vida, então geralmente caminham na direção do que acham melhor.

Quando escolhi publicidade, colegas – e as mães de alguns deles – me disseram que eu estava desperdiçando inteligência em não fazer medicina ou direito. Mas não consigo me ver mais feliz do que me sinto com minha área se eu tivesse cursado qualquer um desses.


Talvez a alma escolha por nós.




Então, mesmo que eu devaneie por entre os dedilhados do violão e a voz dele, mergulhando através de lembranças e planos, com duas garotinhas branquelas, cabelos pretos semi lisos e de narizes vermelhos, eu sei que os meus pezinhos estão virados pro outro lado, e eu estou andando,  porque algo em mim diz que é assim que tem que ser, e simplesmente devo dar Adeus àquele mundo pronto o qual provavelmente não terei como viver...

Escrevendo um roteiro...

Ok, quem diria, “me”, euzinha, fazendo um roteiro.
Acho que isso não estava no meu roteiro também, mas Cristiano, meu professor de Cinema, me passou alguns booons arquivos sobre roteiros, então cá estou eu, escrevendo um.

Certamente vai ser divertido, ao mesmo tempo que trabalhoso, criar uma história que, definitivamente, não é a minha própria…
Algo incomum, já que passei grande parte da vida escrevendo sobre mim, num diário (vários, na verdade).

Isso explica um dos motivos para o nome do blog: sempre fiz planos – fosse para grandes ou pequenas coisas. Olha só, eu sou do tipo que faz plano do que fazer todos os dias, e qualquer pedaço de papel serve pra isso. Antes de ir pra Aracaju morar sozinha, confesso, fiz uma lista de comidas que eu sabia preparar para cada refeição do dia, fazendo planejamento de semanas deliciosamente arquitetadas…e, acreditem, houve coisas mais estranhas.



Planejar, planejar, planejar…devo admitir que, num geral, eu também sou boa em realizar o que almejo, mas, ainda assim, se pode contar com coisas que você não imaginaria que poderiam acontecer.

Era óbvio imaginar que, se dividisse apê com alguém, haveria vários problemas, eu já tinha sido alertada – eu só não tinha como prever que seria tão profundamente enriquecedor e alto-astral morar um ano com Juci, nem que um garoto tivesse tantas coisas em comum comigo e tanto carinho como Adler.

Nem tudo se pode predizer, acaba que o que acontece, na maioria das vezes, é melhor do que o que já estava no script.

As coisas que não estavam no roteiro são um ganho que você vai achando pela estrada, por isso vale a pena ir andando e mostrar a cara.

Você escolhe pra onde ir e a vida vai dando um sopro.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

I Festival de Cinema Baiano - Ilhéus

Eu, que não sou de escrever textos jornalísticos, vou dar meu depoimento nada imparcial da tarde maravilhosa que tive por causa do I Festival de Cinema Baiano , que começou no dia 9 desse mês e durou até ontem, em Ilhéus - Bahia.

Por conta do meu aniversário e dos preparativos para ele, só pude participar no dia 10, mas o pouco que pude presenciar de muito me valeu.

A cidade

Em primeiro lugar, eu ainda não tinha notado o quanto Ilhéus é encantadora. Tem história, beleza natural e gente =) Ficou especialmente interessante com a turma que foi participar do Festival.
Uesc à noite. Foto: internet
Imagino que boa parte dos presentes está associado(a) ao Curso  Rádio e TV da UESC (Universidade Estadual de Santa Cruz), que inclusive deve ser o ponto de partida da iniciativa. Eu vejo as coisas assim: a educação leva a novos caminhos.
A universidade é linda, por sinal, tem épocas em que veste um tapete rosa das pétalas ao chão dos pés de jambo, e o espaço parece bem místico, localizado bem ao meio de uma das estradas mais lindas, mata Atlântica rodeando, entre Ilhéus e Itabuna. Minha visão é bem poética, mas vale a pena conhecer. aos vestibulandos, quem sabe um curso...é só ir ao site da universidade, link acima.

O festival


Teve mostra competitiva de curtas, adorei, teve o média-metragem sobre um louco de rua de Salvador, discussão, mostra paralela...mas o que mais me chamou a atenção foi o documentário "Indígenas Digitais". Antes, porém, deixa-me explicar o contexto.
A fundação cultural de Ilhéus, um dos locais que sediaram o Festival (os outros dois foram o Teatro Municipal de Ilhéus e o Cine Santa Clara), é uma casa antiga que inspira arte e cultura mesmo.
Lagoa encantada (Foto: internet)
Outra coisa é que tinha acabado de passar um documentário sobre a Lagoa Encantada, aqui pertinho, então adorei ver uma gravação regional falando da minha terra, porque, me desculpem os "ó paí ó"s da vida,
eles são muito bons, mas Salvador e o sertão não é só o que temos, nós,baianos, somos muuuuuito mais que isso, e, aliás, não é daquele jeito caricaturado que me vejo; já no documentário da Lagoa, contemplei a história desde os portugueses, e também o meu próprio jeito de falar no modo das pessoas do vídeo, e isso foi contagiante.

Minha terra já foi a Terra do Cacau. sabiam? É uma história muito interessante, por sinal, outro dia eu conto.

Mas gente, fiquei especialmente encantada com a nova forma de caçar dos Índios On-Line. (www.indiosonline.org.br) É tudo via internet: eles aprendem sobre seus direitos, divulgam suas tradições...

Eles estão utilizando a tecnologia a seu favor, seja gravando fatos comprobatórios, seja arquivando danças e cultos, ou mesmo conseguindo benefícios de aposentadoria. Há 5 anos eles desvendam computadores, inclusive os anciãos da aldeia. Eles estão se apropriando das ferramentas, isso é muito bom! Quem quiser dar uma conferida no documentário, eu super-indico.

Parabéns aos produtores, espero que haja muito mais.