"Você gostou do vestido.
Eu queria te mostrar o rosto, agora,
depois do banho.
Fecha os olhos e mexe a cabeça ao lado da minha,
deixa a minha pele sentir que você está perto.
Olha meus olhos,
olha bem no fundo deles.
Olha a minha boca.
Vê se há, nela, algo de seu,
algo de seu nesse vermelho molhado dos lábios.
Não respire rápido.
Não deseje.
não se distraia com as armadilhas
do meu corpo.
Só me olha, só me sente.
Com o coração, não com os hormônios.
Você já tem de mim o doce das palavras,
o encanto do querer bem.
Se as nossas mentes já se acostumaram uma com a outra,
deixa nossos olhos brincarem de se conhecer.
Sem pressa, sem barulho.
Bem quieto. Pshh...
Somente com voz e com olhos e piscadas e sorrisos e paz e dúvida.
Boa noite."
Extraído da caixa de enviadas do meu celular, numa noite qualquer. :)
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
"Não é fácil ser um cabelo"
Abri um de meus diários, ontem, e encontrei o rascunho de uma atividade da disciplina Criatividade, em que teríamos que escrever um texto sobre 'cabelo', sob orientação do professor Nick Passos, que adoro =)
Segue:
Segue:
“Oi. Eu vou ser direto e objetivo, porque preciso desabafar: sou um cabelo frustrado.
Tive o azar de pertencer à espécie mais desprezada, principalmente porque nasci numa mulher. Me acho uma graça, mas a Madalena, a garota onde eu moro, e imagina onde? Ai, ok… vou falar de vez: eu sou um fio de cabelo do buço! Pronto, falei.
Eu não tenho vergonha de ser o que sou, sabe…mas a Madalena morre se me enxergarem. E o pior é que sou tão singelo, tão pequenininho e praticamente imperceptível, mas pra ela não, pra ela eu sou um imenso bigode!
Nem sempre foi assim…
Quando a Madalena tinha quatro aninhos, eu e os meus fios vizinhos segurávamos o leite conosco só para vê-la feliz com o “bigodinho”. Que ironia, meu Deus!
Com 12 anos, lá estava eu num momento muitíssimo importante na vida dela: o primeiro beijo. Marquinhos, era o nome do sortudo. Madalena eu acho que adorou a experiência; eu odiei, porque além de quase me afogar na baba dos dois, o garoto tinha aquele projeto de bigode ridículo que ficava se roçando em mim! Nunca gostei dessas intimidades…
Lembrando assim do passado, eu vejo que vivi 15 anos bastante feliz. Só que quando a Madá fez 16…iiiiiihhhhh!
Foi tudo culpa da Luisa, a amiga chata dela, nunca fui com a cara. As duas estavam indo pro São João da Escola e eu fui com Madalena dormir na casa da outra. Dá pra acreditar que ela pôs a Madá contra mim, por causa de uma piadinha?
-Ô Madalena…tudo bem que é festa de São João, mas você vai de caipira mulher. Não precisava do bigode.
Ridícula. Ridícula, ridícula, ridícula. Foi aí que começou o pesadelo. Madalena estava linda, uma bonequinha. Aliás, ela sempre era assim: magra, sorridente, cabelos pretos. Este último item é que a matava de ódio. Por quê? Simples. Não que ela não gostasse de seu cabelo. É que se o cabelo era preto, a sobrancelha também era, os fios das pernas também, e…o buço.
Ela queria ser como a Luisa, que, de tão loirinha, tinha vários pelinhos louros pelo rosto, e os dela eram um charme, “não esse bigode horrível aqui”, foi o que ela disse.
Ai, céus! Pra piorar a situação, novamente a sanguinária Luisa deu para a Madá um instrumento de tortura como presente:uma pinça! Agradeço a Deus que ela era meio canguinha e não deu uma termocêra. Uffa.
A primeira pinçada me pegou e me cortou, mas não arrancou minha raiz. E foi assim que eu fui conesguindo me manter por aqui: sempre escondido, sempre solitário.
quarta-feira, 3 de agosto de 2011
Roupa de festa ou roupa de dormir?
Não dá pra negar que se arrumar pra uma ocasião especial é uma das coisas mais legais em ser mulher. Escolher entre vestido, calça, saia, jardineira...escolher o tamanho, experimentar novas combinações, experimentar o moderno, o clássico, o alternativo...certamente adoro um salto alto, ter postura e passar maquiagem.
Mas, às vezes, eu adoro me ver assim, do jeito que eu estou: com um moletom pra dormir e um casaco folgado, plena cara de "tô em casa", porque é uma das cenas que poucas pessoas têm o direito de ver. Aquele brilhinho nos olhos que vejo no espelho, o meu nariz egípcio que eu adoro e o sorriso por essa chuvinha gostosa que está caindo vão me preenchendo. Até mesmo a forma que a franja ladeia o meu rosto e termina onde os cachos se formam.
Não há nada de erótico, nada de mulher nisso. Apenas um dos resquícios de menina.
Mas, às vezes, eu adoro me ver assim, do jeito que eu estou: com um moletom pra dormir e um casaco folgado, plena cara de "tô em casa", porque é uma das cenas que poucas pessoas têm o direito de ver. Aquele brilhinho nos olhos que vejo no espelho, o meu nariz egípcio que eu adoro e o sorriso por essa chuvinha gostosa que está caindo vão me preenchendo. Até mesmo a forma que a franja ladeia o meu rosto e termina onde os cachos se formam.
Não há nada de erótico, nada de mulher nisso. Apenas um dos resquícios de menina.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Hoje é o dia perfeito pra fazer tudo direito.
Hoje serei nômade. Daqui a pouco saio de casa, pra só voltar bem tarde, depois que der conta da correria. Hoje, serei filha, tirana, pianista e cantora. Atuarei, coisa que só fiz na escola, e vou ter que fazer direito. Por isso, mais ensaios durante a tarde, com o Grupo A Tua Lona. Aah, detalhe: caí de pára-quedas na peça por que minha amiga, que aí sim é atriz, teve que viajar pra dançar em Fortaleza e não tinha quem a substituísse. Imagina!
Ainda agora de manhã, ensaiar os últimos detalhes pro show da minha banda, a Coutto e Orchestra de Cabeça. De lá, não paro mais. Vou precisar de fôlego.
É nessas horas, horas cheias, que penso como as coisas vão dar certo. Se parar pra pensar, a gente devia pensar assim todos os dias. Gosto muito da música do Falamansa que fala sobre isso, por isso, enquanto me arrumo pra começar a maratona, deixa ela tocando aqui ;)
Wish me luck!
Ainda agora de manhã, ensaiar os últimos detalhes pro show da minha banda, a Coutto e Orchestra de Cabeça. De lá, não paro mais. Vou precisar de fôlego.
É nessas horas, horas cheias, que penso como as coisas vão dar certo. Se parar pra pensar, a gente devia pensar assim todos os dias. Gosto muito da música do Falamansa que fala sobre isso, por isso, enquanto me arrumo pra começar a maratona, deixa ela tocando aqui ;)
Wish me luck!
terça-feira, 28 de junho de 2011
Estou com Banzo.
Os negros escravos sofriam dessa doença, o Banzo, que, resumidamente, significa tristeza profunda por saudade da terra de origem.( Leia mais aqui).
Se minha negritude brasileira me permite, sinto saudade da minha terra, que não é a África, mas sim um pedacinho de chão bem ao Sul da Bahia. Uma cidade que surgiu onde antes havia apenas uma estrada. É a terra de Jorge Amado, do cacau, das Marias, dos Antônios.
Uma cidade cujos arredores são repletos de cacaueiros, hortas, árvores copudas, rios, corredeiras, mata fechada, Mata Atlântica.
(Recomendo ler ouvindo esta canção. A garota não é minha conterrânea, mas foi o que eu estava ouvindo quando escrevi isto aqui)
...e que nessa época do ano se enche de um friozinho gostoso nas madrugadas...
e lembra a mãe dizendo para calçar a sandália, que o chão tá frio;
lembra da equipe de gincana (TATU no coração) fazendo dois virotes seguidos pra ganhar todos os anos, até enjoar;
lembra a batida forte no coração que parece chamar para o São João no interior...
...lembra casa. Casa. Minha casa, onde sempre foi. Meu lar.
E daí dá saudade.
Daquelas apertadas.
Se minha negritude brasileira me permite, sinto saudade da minha terra, que não é a África, mas sim um pedacinho de chão bem ao Sul da Bahia. Uma cidade que surgiu onde antes havia apenas uma estrada. É a terra de Jorge Amado, do cacau, das Marias, dos Antônios.
Uma cidade cujos arredores são repletos de cacaueiros, hortas, árvores copudas, rios, corredeiras, mata fechada, Mata Atlântica.
(Recomendo ler ouvindo esta canção. A garota não é minha conterrânea, mas foi o que eu estava ouvindo quando escrevi isto aqui)
...e que nessa época do ano se enche de um friozinho gostoso nas madrugadas...
e lembra a mãe dizendo para calçar a sandália, que o chão tá frio;
lembra da equipe de gincana (TATU no coração) fazendo dois virotes seguidos pra ganhar todos os anos, até enjoar;
lembra a batida forte no coração que parece chamar para o São João no interior...
...lembra casa. Casa. Minha casa, onde sempre foi. Meu lar.
E daí dá saudade.
Daquelas apertadas.
quarta-feira, 22 de junho de 2011
Todo mês meus filhos morrem
“Ela afasta os cabelos do rosto e os prende atrás das orelhas, pronta para começar mais um dia. Mais andorinhas sobrevoam o parque, novas famílias circulam, dentre elas crianças, pai e avô.
Não demora muito a chegar no ateliê onde ela trabalha toda manhã, toda tarde, quase toda noite. Na frente há uma banca de revistas, e, volta e meia, Clara vê cartazes de Maire Claire, Manequim, Arquitetura & Construção – vendendo um mundo de beleza e felicidade. E o ateliê, então! Cheio das cores que ela não vê brilhar em sua vida pessoal.
E, se ao fim de cada pôr-do-sol ela derrama uma lágrima, não podem queixar-se: todo mês ela sente morrerem seus filhos, a cada ciclo menstrual, e é impossível conter a dor de ver as páginas de seu futuro ficarem transparentes e sumirem.
Cada nova lua é um indício de que a fertilidade foi em vão, e ela se vê cada vez mais longe da vida com a qual sonhou.
Como uma promessa que não foi cumprida.”
segunda-feira, 13 de junho de 2011
É impressão minha ou o mundo tá mais fofinho?
As últimas décadas foram marcadas por mudanças políticas, tecnológicas e verdadeiras revoluções de comportamento, moral e ‘bons costumes’. As mulheres ganharam o mercado de trabalho e muito mais direitos, buscaram diminuir o racismo, surgiram os celulares e hoje ninguém pega mais o endereço, prefere ligar pra um amigo do meio do caminho. Um dia sem ele do lado é praticamente perdido. As pessoas passaram a publicar suas vidas na internet, o homossexualismo foi, gradativamente, ganhando um certo respeito, surgiram bandas emotivas, coloridas, e...ruins. Tá, nem todas, mas...
Nesse mundo do agora, da informação colaborativa e instantânea, acho que as pessoas estão mais necessitadas de amor, beleza e felicidade. Em poucos dias, vídeos como Oração , da Banda mais bonita da Cidade e Eduardo e Mônica, da Vivo, ganharam o coração das pessoas.
Muita gente queria estar ali dentro da casa ou da história de amor, e eu não me excluo. É uma forma de realização, de brilho nos olhos.
Esse vídeo aqui embaixo eu assisti hoje. Uma melodia gostosa e fofa, típica dos momentos de “ abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim”.
Esse vídeo aqui embaixo eu assisti hoje. Uma melodia gostosa e fofa, típica dos momentos de “ abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim”.
Se essa necessidade repentina de coisas sentimentais reflete a inconstância do mundo atual, a lacuna de amor que o stress diário, a distância e a falta de tempo acarretam, eu não sei. Mas eu adoro essa onda de vídeos – publicitários ou não – cheios de amor, amizade e felicidade, porque me inspiram, e se encaixam no meu modo de ver a vida: sempre fofa, sempre linda, e sempre ao seu alcance. Você faz da vida uma coisa cada vez mais bela, com seus gestos e palavras.
Assinar:
Postagens (Atom)